Setembro não leva as mágoas de agosto, nem tão pouco secam minhas lágrimas que por vezes incontáveis rolaram pelo meu rosto.
Hoje a minha dor só aumentou, o nó que se forma em minha garganta é tão ruim, minha cabeça dói e meus olhos ardem, a vontade de arrancar você de dentro de mim é quase tão grande como a vontade que em outro tempo eu tinha de ter você perto de mim... Com seu abraço protetor me aninhando junto a você.
Com minha cabeça baixa, meu fone no ouvido, fico paralisada em meio as pessoas que se movem, que gritam, cantam, se abraçam e sorriem. A minha trilha sonora particular faz com que tudo gire em câmera lenta... Também faz com que eu me lembre que naquele momento o que mais machucava não era a dor de ser ignorada como fui por várias vezes, ou até mesmo sua infantilidade ou a forma brusca de suas palavras ditas com o proposito de me ofender. O que dói é a traição, a falta de compromisso que você teve... Você podia fazer ou ser tudo que eu sempre olhava positivamente e mesmo que você não notasse eu era a primeira a te aplaudir e te defender ferozmente, mas e a falta de palavra? E a promessa que você me fez? Porque além de estragar com tudo o que eu sentia também teve que me magoar assim? Pisar em cima de uma flor recém plantada, frágil ainda.
E mais uma vez você fez com que tudo voltasse, vão ter dias que vou pedir pra vir mais cedo pra casa, não vou prestar atenção em nada, vou continuar com fones no ouvido e olhos fechados de uma forma tão apertada que não deixe escapar uma lágrima, e se escapar vou sair correndo para ir ao banheiro, chorar e deixar que aos poucos no lugar dele irão aparecer sorrisos e risos que pretendo não dividir com você.
Sabe o que setembro me trouxe? Toda tristeza que eu não tive em agosto.
Jaqueline Cordeiro

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