Como é que pode uma só pessoa, uma só mente, um só coração ter tanta coisa guardada? As perguntas mais estúpidas e sem sentido que se pode ter sempre surgem, assim... do nada, e a confusão me invade, como o sangue que passa por minhas veias, como meu coração quando acelera ao vê-lo, porém com menos intensidade já que nada mais me consome tão ferozmente quanto o amor que guardo o peito. Dizem que cartas podem mudar vidas... transformá-las. Como me faltam remetentes -ou talvez eles sejam tantos- aqui estou, no silêncio profundo, onde o som do rabisco é o único que toma conta de meus ouvidos. Por quê que nos meus olhos formam-se lágrimas agora? Por quê me sinto tão só com isto? Ah, minha mania de volta a tona, procurando por respostas que não irei encontrar. Não sei quando, mas enfim ao menos algo eu conseguir achar –e eu nem estava apressada para que isso acontecesse. Agora, meu coração, acelerado de novo, me esclarece involuntariamente: os batimentos mais fortes também surgem ao pensá-los... neles, meus amores, estão minhas fraquezas mas, espera... por quê “eles”? Não era só “ele”? Algo mudou! Agora o órgão mais importante do meu corpo de alguma forma –não sei como- não mais me pertencia. Mas por quê eu estou aqui, viva, escrevendo?! Eu posso sentir os batimentos. Estão distantes e... em dois lugares ao mesmo tempo. Mais uma resposta vem a minha mente, involuntariamente de novo. Eu sei que eles nem lembram de mim a essa altura, mas não consigo parar de pensar neles, a razão se eu viver; sem eles eu não estaria viva por dentro e esse fogo não me consumiria como hoje o faz. E isto vai me deixando cada vez mais intrigada e os questionamentos saltam à minha cabeça... tenho certeza que o farão sempre. Ao menos as dúvidas deixarão-me distraída enquanto meu coração dividido se quebra e se reconstrói. Não acho que esta carta vá mudar a minha vida ou transformá-la. Aliás, nem acho que esta seja uma carta mas, de qualquer forma, me sinto mais leve agora –literalmente!- já que tenho menos lágrimas no meu ser. Uma música me vem a mente agora: “inacreditável como eu dizia que nunca me apaixonaria”. Aqui está meu rosto inchado como prova de que esta frase se resume a mim. Ás vezes que queria viver em um desses contos de fadas eu novelas mexicanas. Sei que não são reais mas ao menos elas têm um final feliz!

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